Hoje Eu Quero Voltar Sozinho: Um Olhar Sensível Sobre A Adolescência

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho: Um Olhar Sensível Sobre A Adolescência

Quem ainda não assistiu este filme, agora tem a oportunidade de ver no Netflix. Ele é de 2014, e foi feito depois que o curta Eu Não Quero Voltar Sozinho fez sucesso no YouTube. E até foi escolhido como representante brasileiro ao prêmio Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, mas não chegou a entrar na lista final de concorrentes.

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho conta a história de Léo, um típico adolescente, que vai à escola, onde tem amigos, mas também sofre bullying; que pensa em como será seu primeiro beijo, e tem sonhos para o futuro; que briga com os pais super-protetores; e que vivencia os prazeres e as dores da adolescência. Quem não se identifica? E isso é o melhor do filme: a história de Léo é universal. Mesmo ele sendo cego, e mesmo seu primeiro amor sendo uma relação homossexual.

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Imagem via Dammit

E essa universalidade só é possível porque o filme é muito sensível, natural e despretensioso. Os personagens e os diálogos são autênticos. A narrativa e as atuações são sinceras e carismáticas. E o filme evita o sensacionalismo, porque o foco não é a cegueira, não é a homossexualidade, e não é o bullying. É claro que esses temas tornam o enredo mais interessante, pois são muito relevantes, e criam situações atrativas do ponto de vista dramático . Mas o foco principal é a adolescência: essa fase complicada da vida, cheia de dúvidas, desejos, decepções e descobertas.

Nós nos identificamos com as conversas triviais, as fofocas de escola, os ciúmes, os momentos constrangedores, o medo da rejeição, as brigas com os amigos e com os pais, os colegas chatos e inconvenientes, a vontade de ser mais independente, de ter mais liberdade, e as novas sensações emocionais e sexuais que sentimos quando nos apaixonamos por alguém.

E agora que eu já falei sobre suas qualidades, eu gostaria de exprimir uma opinião pessoal sobre a importância que este filme (e outros como ele) podem ter na formação de indivíduos, e de uma cultura, mais tolerantes. Porque este filme torna evidente aquilo que todos já deveríamos saber: Somos todos seres humanos. Não importa nossa orientação sexual, nossa identidade de gênero, nossas deficiências físicas ou mentais, nossa cor de pele ou etnia. Não importa se somos bonitos ou feios, gordos ou magros, pobres ou ricos, populares ou solitários. Todos temos sentimentos, todos sofremos, todos temos dúvidas e medos. Todos merecemos respeito, todos queremos nos relacionar, todos queremos amar e ser amados. E deveríamos sempre nos lembrar disso antes de julgar outras pessoas.

Eu recomendo este filme para quem gosta de histórias sensíveis sobre adolescência e juventude, como Sociedade dos Poetas Mortos (1989), Billy Elliot (2000), Juno (2007), Tomboy (2011), e As Vantagens de Ser Invisível (2012).

Você também se identifica quando lembra das alegrias e tristezas da sua adolescência? Que tipo de adolescente você foi? Eu fui eclética até na minha adolescência: tive meus momentos de rebeldia e raiva do mundo, mas no final acabei decidindo deixar a confusão interna de lado, e me dedicar aos estudos. De certa forma, acho que isso colaborou para que coisas boas surgissem na minha vida. Me interessar mais por filmes e séries, e procurar sempre extrair aprendizado deles, foi uma dessas coisas. E que, ainda hoje, me ajuda a lidar com os problemas da vida.

The Lobster: Quem Inventou O Amor?

The Lobster: Quem Inventou O Amor?

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Imagem via Movie Pilot

Dizer que este filme é uma ficção chega a ser um eufemismo. Haja imaginação para criar algo tão maluco assim. E o mais admirável, é o tanto de verdade, nua e crua, que há dentro dele.

A história de The Lobster acontece em um futuro distópico, onde nós acompanhamos David (Colin Farrell), um homem de meia-idade cuja esposa o trocou por outro. Agora que está solteiro, ele é forçado a ir para O Hotel, assim como todas as outras pessoas solteiras, onde deve achar sua nova alma-gêmea em até 45 dias. Após este prazo, se continuarem solteiras, as pessoas são transformadas em um animal de sua escolha.

Louco, né? E você ainda não viu nada. Sem dar spoilers, posso dizer que, partindo desta premissa bizarra, são apresentados personagens ainda mais bizarros, que são submetidos a mais regras super bizarras, e que levam a um desenrolar da história exponencialmente mais e mais bizarro.

Bizarrice demais? Talvez. Para apreciar este filme, esteja aberto a entrar num universo paralelo, e a aceitar todas as bizarrices como plausíveis dentro deste universo: a sociedade, as regras, as pessoas, as motivações, as ações, etc.

Eu aceitei embarcar nessa história, e achei o filme extraordinariamente interessante, do ponto de vista metafórico e também auto-analítico. Tanto que estou aqui, indicando para todo mundo, e pensando até agora em tudo o que o filme coloca em discussão:

O que é o Amor? É um sentimento, uma convenção social, uma escolha? Nós sabemos que o conceito de Amor mudou muito nos últimos séculos. Qual o papel do Amor na sociedade atual? Por que estamos sempre à procura do Amor? É possível viver sem Amor?

Como funciona o Amor? Tem que ser recíproco? O que é imprescindível para que haja Amor? Interesses em comum, atração sexual, honestidade, comprometimento? Por que sofremos por Amor? Quais são os limites do Amor?

Sim, todas essas perguntas e reflexões, entre outras, estão no filme. Mas as respostas estão em aberto, e dependem de cada um de nós.

Eu recomendo este filme para quem gosta de filmes fora do convencional, estranhos, sarcásticos e irônicos, que fazem refletir sobre nossa própria realidade; como por exemplo: Quero Ser John Malkovich (1999), Almas À Venda (2009), Cisne Negro (2010), A Pele Que Habito (2011), Her (2013), e Ex Machina (2015).