The Night Manager: A Ocasião Faz O Espião

The Night Manager: A Ocasião Faz O Espião

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Imagem via WPaperHD

The Night Manager é uma adaptação do livro homônimo de John Le Carré, escritor famoso por seus romances de espionagem. Sendo que alguns deles já foram adaptados para o cinema, como O Espião Que Veio Do Frio (1965), O Jardineiro Fiel (2005), O Espião Que Sabia Demais (2011) e O Homem Mais Procurado (2014).

A história desta minissérie começa com Jonathan Pine (Tom Hiddleston) trabalhando como gerente do turno da noite em um luxuoso hotel de Cairo, no Egito. Após ser abordado por uma hóspede, Jonathan acaba envolvido em uma perigosa trama, que não acaba nada bem. Quatro anos depois, Jonathan aparece novamente como gerente do turno da noite de um hotel de luxo; mas agora nas remotas e geladas montanhas da Suíça. E lá seu caminho cruza diretamente com o algoz da sua tragédia do passado: Richard Roper (Hugh Laurie), um bilionário empresário britânico, famoso por projetos humanitários, mas que na verdade é um mercenário contrabandista de armas de guerra. Impulsionado pelo desejo de vingança e justiça, Jonathan consegue aproximar-se de Roper, e tem início um emocionante jogo de espionagem, repleto de corrupção, traição e reviravoltas.

Sem dar spoilers, acho que posso comentar que é impossível assistir “The Night Manager” e não lembrar de James Bond. Tem o mocinho carismático e misterioso, espionagem internacional, um vilão inescrupuloso, diálogos afiados, romance, suspense, violência, sexo… Por outro lado, não tem invenções e traquitanas mirabolantes, e as pontuais lutas e explosões são menos espalhafatosas do que estamos acostumados a ver nos filmes. Mas nada disso faz falta, pelo contrário: o resultado final é uma história mais realista, mas ainda assim intrigante e envolvente; contada em um ritmo bem construído, tirando total proveito do seu formato de minissérie.

Para mim, a maior qualidade de The Night Manager é conseguir ser uma série empolgante, com acontecimentos que te deixam cada vez mais interessado no desenrolar da história, e também ser uma série com assuntos relevantes, como relações internacionais e contrabando de armas de guerra, tratados de maneira interessante e realista. Tanto, que chega a ser desolador constatar que o mundo está repleto de pessoas presunçosas, desonestas, gananciosas e covardes.

Além dos fãs de James Bond, Jason Bourne, e outros espiões famosos, eu recomendo The Night Manager para quem gosta de histórias cheias de suspense, com personagens inteligentes e reviravoltas interessantes, como por exemplo 24 Horas, The Americans e Homeland.

Quem mais adora histórias de espionagem? Difícil resistir às tramas elaboradas, ao suspense cuidadosamente construído, e às reviravoltas emocionantes. Acredito que este é um tema que sempre encontrou e sempre encontrará novas formas de ser explorado.

The Lobster: Quem Inventou O Amor?

The Lobster: Quem Inventou O Amor?

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Imagem via Movie Pilot

Dizer que este filme é uma ficção chega a ser um eufemismo. Haja imaginação para criar algo tão maluco assim. E o mais admirável, é o tanto de verdade, nua e crua, que há dentro dele.

A história de The Lobster acontece em um futuro distópico, onde nós acompanhamos David (Colin Farrell), um homem de meia-idade cuja esposa o trocou por outro. Agora que está solteiro, ele é forçado a ir para O Hotel, assim como todas as outras pessoas solteiras, onde deve achar sua nova alma-gêmea em até 45 dias. Após este prazo, se continuarem solteiras, as pessoas são transformadas em um animal de sua escolha.

Louco, né? E você ainda não viu nada. Sem dar spoilers, posso dizer que, partindo desta premissa bizarra, são apresentados personagens ainda mais bizarros, que são submetidos a mais regras super bizarras, e que levam a um desenrolar da história exponencialmente mais e mais bizarro.

Bizarrice demais? Talvez. Para apreciar este filme, esteja aberto a entrar num universo paralelo, e a aceitar todas as bizarrices como plausíveis dentro deste universo: a sociedade, as regras, as pessoas, as motivações, as ações, etc.

Eu aceitei embarcar nessa história, e achei o filme extraordinariamente interessante, do ponto de vista metafórico e também auto-analítico. Tanto que estou aqui, indicando para todo mundo, e pensando até agora em tudo o que o filme coloca em discussão:

O que é o Amor? É um sentimento, uma convenção social, uma escolha? Nós sabemos que o conceito de Amor mudou muito nos últimos séculos. Qual o papel do Amor na sociedade atual? Por que estamos sempre à procura do Amor? É possível viver sem Amor?

Como funciona o Amor? Tem que ser recíproco? O que é imprescindível para que haja Amor? Interesses em comum, atração sexual, honestidade, comprometimento? Por que sofremos por Amor? Quais são os limites do Amor?

Sim, todas essas perguntas e reflexões, entre outras, estão no filme. Mas as respostas estão em aberto, e dependem de cada um de nós.

Eu recomendo este filme para quem gosta de filmes fora do convencional, estranhos, sarcásticos e irônicos, que fazem refletir sobre nossa própria realidade; como por exemplo: Quero Ser John Malkovich (1999), Almas À Venda (2009), Cisne Negro (2010), A Pele Que Habito (2011), Her (2013), e Ex Machina (2015).