Colonia: Drama, Romance, Suspense e Aventura

Colonia: Drama, Romance, Suspense e Aventura

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Imagem via IMDB

Este filme é uma mistura de gêneros. Baseada em fatos reais, a história começa como um drama histórico e uma história de amor, que se passa no Chile, em 1973, onde Lena e Daniel são capturados durante a instauração da ditadura do General Pinochet. Daniel é levado para uma instituição de fachada, chamada Colonia Dignidad, onde é torturado e mantido como prisioneiro. Lena logo percebe que nem seus amigos militantes, nem seus compatriotas alemães, estão dispostos a ajudá-la a salvar Daniel. Sendo assim, ela só consegue pensar em um jeito de reencontrar seu grande amor: voluntariamente entrando para o culto que funciona dentro da Colonia. À parti daí, o filme torna-se um suspense: Lena é aceita pelo líder do culto, e tem que seguir as regras criadas por esse falso messias astuto, misógino e pervertido, que faz lavagem cerebral e usa seus devotos como escravos. Quando finalmente encontra Daniel, o suspense vira também uma aventura sobre a arriscada fuga do casal.

Eu diria que Colonia é uma combinação de sucesso. A história de amor é comovente: as atuações de Emma Watson e Daniel Brühl nos convencem de que o romance entre Lena e Daniel é intenso e verdadeiro. O pano de fundo histórico é interessante e perturbador: tanto os retratos da ditadura militar, quanto os do culto religioso, são surpreendentes. O suspense é intrigante e bem construído: os sofrimentos e os perigos por que Lena e Daniel passam são de fazer o coração parar e disparar. E a aventura é empolgante: nós torcemos o tempo todo pelo casal.

E tudo isso faz o filme valer a pena. E a pena é o final, que simplesmente não se encaixa no resto da história. É um final que tenta ser verossímil, mas não consegue ser nem um pouco realista dentro das premissas do filme. Foi obviamente feito para agradar os espectadores acostumados com produções hollywoodianas. E por isso mesmo, destoa de todo o resto, e o pior: enfraquece a significância de tudo o que vimos antes disso.

Mas eu repito: vale a pena. Não é perfeito, mas é um ótimo filme.

Eu recomendo este filme para quem gostou de Argo (2012),que de certa forma parece ter sido usado como referência. E para quem gosta de outros filmes que misturam drama, romance, suspense e ação ou aventura, mas em proporções diferentes, como por exemplo: O Labirinto do Fauno (2006), O Preço do Amanhã (2011), a saga Planeta dos Macacos, e a saga Jogos Vorazes.

Você gosta dessas misturas? Ou prefere filmes mais específicos? E você também acha que, mesmo quando um filme decepciona no final, ele pode continuar valendo a pena?

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The Night Manager: A Ocasião Faz O Espião

The Night Manager: A Ocasião Faz O Espião

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Imagem via WPaperHD

The Night Manager é uma adaptação do livro homônimo de John Le Carré, escritor famoso por seus romances de espionagem. Sendo que alguns deles já foram adaptados para o cinema, como O Espião Que Veio Do Frio (1965), O Jardineiro Fiel (2005), O Espião Que Sabia Demais (2011) e O Homem Mais Procurado (2014).

A história desta minissérie começa com Jonathan Pine (Tom Hiddleston) trabalhando como gerente do turno da noite em um luxuoso hotel de Cairo, no Egito. Após ser abordado por uma hóspede, Jonathan acaba envolvido em uma perigosa trama, que não acaba nada bem. Quatro anos depois, Jonathan aparece novamente como gerente do turno da noite de um hotel de luxo; mas agora nas remotas e geladas montanhas da Suíça. E lá seu caminho cruza diretamente com o algoz da sua tragédia do passado: Richard Roper (Hugh Laurie), um bilionário empresário britânico, famoso por projetos humanitários, mas que na verdade é um mercenário contrabandista de armas de guerra. Impulsionado pelo desejo de vingança e justiça, Jonathan consegue aproximar-se de Roper, e tem início um emocionante jogo de espionagem, repleto de corrupção, traição e reviravoltas.

Sem dar spoilers, acho que posso comentar que é impossível assistir “The Night Manager” e não lembrar de James Bond. Tem o mocinho carismático e misterioso, espionagem internacional, um vilão inescrupuloso, diálogos afiados, romance, suspense, violência, sexo… Por outro lado, não tem invenções e traquitanas mirabolantes, e as pontuais lutas e explosões são menos espalhafatosas do que estamos acostumados a ver nos filmes. Mas nada disso faz falta, pelo contrário: o resultado final é uma história mais realista, mas ainda assim intrigante e envolvente; contada em um ritmo bem construído, tirando total proveito do seu formato de minissérie.

Para mim, a maior qualidade de The Night Manager é conseguir ser uma série empolgante, com acontecimentos que te deixam cada vez mais interessado no desenrolar da história, e também ser uma série com assuntos relevantes, como relações internacionais e contrabando de armas de guerra, tratados de maneira interessante e realista. Tanto, que chega a ser desolador constatar que o mundo está repleto de pessoas presunçosas, desonestas, gananciosas e covardes.

Além dos fãs de James Bond, Jason Bourne, e outros espiões famosos, eu recomendo The Night Manager para quem gosta de histórias cheias de suspense, com personagens inteligentes e reviravoltas interessantes, como por exemplo 24 Horas, The Americans e Homeland.

Quem mais adora histórias de espionagem? Difícil resistir às tramas elaboradas, ao suspense cuidadosamente construído, e às reviravoltas emocionantes. Acredito que este é um tema que sempre encontrou e sempre encontrará novas formas de ser explorado.